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QUE DEUS TE ABENÇOE

Barbara, diante do volante de seu carro, prepara-se para começar um novo dia.

Ela adora seu trabalho.

Sempre gostou de dirigir e, quando seu pai decidiu aposentar-se e propôs a ela ficar com sua carteira de clientes e assumir seu velho taxi, Barbara não hesitou:

A autonomia, fazer seu próprio horário e a sensação de liberdade eram muito atraentes para deixar a oportunidade passar.

O carro atravessa um bairro nobre da cidade e já se pode identificar as ruas arborizadas e bem pavimentadas. O trajeto é agradável, apesar de não haver ninguém nas ruas. Deve ser pelo horário de almoço.

Uma mulher parada na esquina, acenando para que o taxi pare, chama a atenção de Barbara. Não é uma mulher comum. Está coberta de joias, com uma bolsa cara e sapatos altos. Mas, acima de tudo, tem um lenço estampado cobrindo sua cabeça e envolvendo seu rosto, mostrando apenas seus olhos.

A mulher entra no carro pelo banco de trás e diz a Barbara que irá a um endereço fora da cidade, distante de onde estão nesse momento.

A mulher fala com um ligeiro sotaque estrangeiro, com uma voz bonita e clara.

Comenta com Barbara que, em seu país de origem, as mulheres não podem dirigir e que ela admira o fato de ter coincidido justamente com uma mulher taxista. Identifica-se como Samira Sayed, natural da Arábia Saudita e empresária.

Barbara, ao ouvir o relato de Samira, acha a situação inusitada, porém, não sabe dizer a razão, sente-se um pouco tonta, como se uma força superior, algo fora de seu controle, a deixasse inebriada, sem saber direito o que dizer. Apenas ouve o relato de sua passageira.

Samira conta a Barbara que ama seus filhos ( ela diz que tem 2 meninos e 1 menina ) e que adora viver aqui, adora a vida e seus altos e baixos.

A medida que o carro vai se afastando da cidade, os prédios dão lugar a campos verdejantes de ar puro e saudável.

Barbara continua sentindo-se inebriada, com uma sensação de que está embriagada, que não tem controle sobre si mesma, apenas dirige e ouve a voz de Samira.

O carro chega a um ponto onde há um enorme terreno com muitas árvores e mais adiante mata fechada. Samira diz a Barbara que, ao dar a volta, pare o carro e desça para ajudá-la.  

Tomada de uma repentina tristeza refletida em seu olhar, Samira diz a Barbara: “ Que Deus te abençoe “ e, em seguida, pronuncia uma frase em árabe, que Barbara não consegue compreender.

Barbara desce do carro e, indicada por Samira, aproxima-se do local apontado por sua passageira. Usando o mesmo traje e o lenço protegendo seu rosto, os sapatos de salto alto jogados próximos dali, o corpo de Samira está inerte, sem vida, desfigurado, em meio a uma poça de sangue.  

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