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Eu Temo Meu Filho

Desde que ele nasceu, eu sinto medo dele. Sim, ele é meu filho, mas eu o temo. Desde o momento em que abriu seus olhos, notei algo estranho sobre ele. Não sei explicar exatamente o que é, mas uma sensação de desconforto e terror tomou conta de mim.

Uma noite, acordei de madrugada com seus choros. Levantei-me da cama e fui até o berço, mas ele não estava lá. Procurei pela casa inteira, desesperada, mas não encontrei. Acordei meu marido, Fabio, balançando-o com força. “Fabio, Marcel sumiu!”

Ele pulou da cama, assustado. “O quê?!”

Levantamos rapidamente e fomos até o quarto do bebê, onde encontramos Marcel dormindo tranquilamente em seu berço. Fabio olhou para mim com uma expressão incrédula. “Você está ficando louca, não é?”

Mas eu juro que vi um sorriso sarcástico no rosto do meu filho. Um sorriso que nenhum recém-nascido deveria ser capaz de fazer.

No dia seguinte, decidi que não dormiria. Fiquei acordada a noite toda, observando o berço com olhos cansados, mas vigilantes. À meia-noite, o quarto estava envolto em um silêncio opressor. De repente, vi meu filho recém-nascido se levantar lentamente do berço. Meus olhos se arregalaram de horror quando percebi que ele caminhava na minha direção, segurando uma faca na mão pequena e trêmula.

Imagine um bebê recém-nascido andando na sua direção com uma faca. A visão era absolutamente surreal e aterrorizante. Quando nossos olhos se encontraram, ele parou e sorriu de novo, aquele sorriso frio e sinistro.

“Eu sei que você está acordada”, ele disse com uma voz que não era sua. Era grave, rouca, como se mil demônios falassem através dele.

Meu coração batia freneticamente, e eu não conseguia me mover. Estava paralisada pelo medo. Ele continuou a se aproximar, e antes que eu pudesse reagir, senti a lâmina fria penetrar meu coração. O mundo começou a escurecer ao meu redor. A última coisa que vi foi o rosto angelical de meu filho, agora distorcido por um sorriso maligno.

Então, tudo ficou preto.

Quando acordei, estava no hospital. Fabio estava ao meu lado, segurando minha mão com força. “Você está bem, amor? Foi só um pesadelo.”

Mas eu sabia que não era um pesadelo. A cicatriz em meu peito era prova disso. Fabio disse que me encontrou caída no chão do quarto, desmaiada, sem nenhum sinal de agressão ou de Marcel fora do berço.

Ninguém acreditou em mim. Disseram que eu estava estressada, que precisava de descanso. Mas toda vez que olho para Marcel, sinto aquele mesmo arrepio de terror. Eu sei o que vi. E sei que, de alguma forma, ele é responsável.

Desde então, vivo com o medo constante de que, uma noite, ele venha de novo. E desta vez, não haverá ninguém para me acordar do pesadelo que é minha realidade.

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