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A Batalha

Eu estou aqui, com minha roupa romana, à frente dos meus soldados. Minha túnica vermelha, adornada com tiras de couro, é coberta por uma armadura de escamas de bronze que reluz sob a luz do sol. Um manto púrpura, preso ao meu ombro por um broche dourado, esvoaça ao vento. Uso um capacete ornamentado com uma crista de plumas vermelhas, símbolo da minha posição de liderança. Minhas sandálias de couro estão firmemente amarradas, e sinto o peso de meu gládio, uma espada curta e afiada, ao lado de um punhal preso à cintura.

Eu era o líder dos meus soldados. Olhei para eles, cada rosto refletindo uma mistura de determinação e medo, e depois para o outro exército. Era um mar sem fim de guerreiros, uma onda implacável que parecia se estender até o horizonte. O brilho de suas lanças e escudos criava um efeito quase hipnótico sob o sol escaldante. Era uma batalha perdida antes mesmo de começar.

“Vamos!” gritei, com determinação na voz. Montei meu cavalo, um imponente corcel negro, e avancei contra o inimigo. O som dos cascos batendo contra o chão reverberava em meus ouvidos, cada pulsação aumentando minha adrenalina. O primeiro inimigo que encontrei mal teve tempo de levantar sua arma antes que meu gládio cortasse sua garganta, o sangue espirrando em um arco mortal. Com um movimento rápido, enfiei minha espada no coração de outro, seu grito de agonia sendo sufocado pelo clangor das armas ao nosso redor.

A fúria da batalha rugia ao meu redor. Lâminas colidiam, escudos se chocavam, e o cheiro metálico de sangue impregnava o ar. Meu cavalo avançava sem hesitação, e cada golpe meu era preciso e mortal. Cortei a cabeça de um adversário, o som surdo do corpo caindo no chão se misturando com os gritos de guerra e dor.

No entanto, quando olhei para trás, percebi que não havia mais ninguém. Meus soldados haviam desaparecido, como se tivessem sido tragados pela própria terra. Eu estava sozinho na batalha, sem reforços, sem apoio. O pavor começou a se infiltrar em meu coração. Um homem gigantesco, uma verdadeira montanha de músculos e aço, levantou sua espada. Sua sombra caiu sobre mim como um presságio sombrio. Num instante, soube que era o fim.

Vi a lâmina descendo em direção ao meu pescoço, seu brilho cruel refletindo meu próprio desespero. Tudo ficou branco.

Abri os olhos de repente, ofegante e suado. Era o mesmo pesadelo de sempre. Estava deitado em minha cama, com as mãos tremendo e o coração batendo rápido. Olhei ao redor do quarto escuro, tentando acalmar minha mente. Senti o toque familiar das paredes de pedra fria, os lençóis amassados ao meu redor, e o som distante do vento lá fora.

Perdi a batalha no pesadelo, mas pelo menos ainda estou na batalha da vida. Levantei-me lentamente, indo até a janela. O céu noturno estava pontilhado de estrelas, e a lua cheia lançava um brilho prateado sobre a terra. Respirei fundo, sentindo o ar frio preencher meus pulmões. Cada dia era uma nova chance de lutar, de superar os medos que me assombravam.

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