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As Formigas

Eu odeio formigas. Desde que me mudei para meu novo apartamento, encontro essas criaturas por toda parte. Eu as detesto com uma intensidade inexplicável. Usei todos os venenos disponíveis, mas nada adiantou. Era como se fossem imunes a qualquer substância que eu aplicasse. Elas continuavam a infestar cada canto do meu lar.

Uma noite, quando estava preparando o jantar após um longo dia de trabalho, encontrei formigas por toda a minha comida. Fiquei furioso. A visão daqueles pequenos corpos negros rastejando sobre meu jantar me encheu de nojo e raiva. Joguei toda a comida fora, sentindo uma frustração crescente e incontrolável.

Decidido a não desistir, contratei uma empresa de controle de pragas. Eles vieram, inspecionaram cada canto do apartamento, aplicaram os produtos mais fortes e me garantiram que o problema estava resolvido. Finalmente, minha casa estava limpa.

No dia seguinte, enquanto estava deitado na cama mexendo no celular, vi a última coisa que esperava: uma formiga em cima do meu ombro. Peguei-a com força e esmaguei, sentindo um estranho prazer em destruí-la. Mas, ao olhar para a frente, vi um mar de formigas enchendo a casa. Elas cobriam o chão, as paredes, o teto, formando uma onda negra e pulsante que avançava em minha direção.

Nunca vi algo assim na minha vida. Formigas sem fim, me atacando e mordendo. A dor era insuportável, como se milhares de agulhas penetrassem minha pele ao mesmo tempo. Comecei a gritar, gritos desesperados que ecoavam pelo apartamento. Sacudi os braços, bati nas paredes, tentei me livrar delas, mas era inútil. Elas estavam por toda parte, e cada vez que esmagava uma, outras mil surgiam.

Os dias seguintes se transformaram em um borrão de pânico e agonia. Eu não conseguia dormir, comer ou pensar em outra coisa que não fossem as formigas. Elas estavam em meus sonhos, rastejando por minha pele, entrando em minha boca e nariz. Eu as via mesmo com os olhos fechados. A sensação de formigas subindo por meu corpo era constante, me enlouquecendo cada vez mais.

Então, uma noite, não aguentei mais. Corri para fora do apartamento, descalço e com os olhos arregalados, gritando sobre as formigas que devoravam minha alma. As pessoas na rua me olhavam com horror e piedade, mas eu não conseguia parar. Elas estavam por toda parte.

Fui levado ao hospital. Lá, os médicos e enfermeiros me olhavam com preocupação. O Doutor conversou com os outros profissionais:

“Desde que ele chegou aqui, só fala de formigas, mas nem uma picada ele tem.”

Eles não entendiam. Como poderiam? Para eles, eu era apenas um homem enlouquecido por uma obsessão insana. Mas para mim, as formigas eram reais. Elas estavam lá, esperando a próxima chance de me atacar. Cada pequeno movimento que eu via no canto dos olhos, cada sensação de algo rastejando sobre minha pele, era um lembrete de que as formigas nunca realmente se foram.

Agora, estou preso em um quarto acolchoado, meus gritos abafados pelas paredes grossas. Eu ainda as vejo, rastejando nas sombras, esperando. Elas estão esperando por mim. E sei que, quando as luzes se apagarem, elas virão novamente. Porque as formigas nunca esquecem. Elas sempre encontram um caminho.

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